segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A brusca poesia da mulher amada


(Quadro de Lasar Segall)




Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...

Eles foram vistos caminhando de noite para o amor – oh, a mulher amada é como a fonte!

A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo

A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido

Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?

Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?



Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios

E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...



Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias

Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.









Rio de Janeiro, 1938
Vinicius de Morais

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Um convite...

Eu esqueço que quando sou poeta não posso inventar figuras sem deixar de revelar as curvas da minha grafia peculiar...me encantei contigo,ao encontrar em teu abrigo um quadro de cores adequadas,eloquentes rodas em um movimento adjetivo...
 Divido meu tempo entre imagens e palavras
Entre a linguagem universal e a fala habitualdos homens selvagens
Quer ser minha fiel amante?Posso te mostrar as experiencias de amar distante
Uma constante ansiedade,movida por extremos de vaidade e calor sanguineo
Sensação que condensa seus sentidos
Faz variar conforme as imagens impostas,fantasiada,cada verbo intransitivo...
Consegui atrair sua atenção?!
Me resta aguardar se vc entendeu meu pedido e vestiu-se do meu laço...
Abraços!!!

Meu Jogo

Aceitei teu convite calada
No instante que te vi isolada
Abraçada ao travesseiro do sofá
Então te ofereci atrevido,um suspiro no ouvido
Te pedindo para ficar comigo
Você me ignorou
Inventou um motivo qualquer para manter a distancia
Criou assunto
Montou um arsenal de propostas
Segura das respostas,nem percebeu que não havia questões
Que no fundo o que queria era me me apresentar a maneira correta de te conquistar
Medi seu limite
Dando atenção,fechado sem palpite
Saltava a cada riso um trecho daquela via que você colocou para alcançar seus labios
Nem percebeu,ou sim?!
Distraida ja estava caida no meu colo com seu olhar perdido e romantico...

Gostou?!

Detalhe nos Encantos

Descrever seu rubor
O calor da face timida
Dividida entre uma dose de medo
Outra maré de amor
Os olhos curiosos
Exige entender o quanto aquele buquê de flores é real
Tão ideal para ser verdadeiro
Basicamente perfeito para ser sincero
Desconfia do aroma
Bebe encantada o perfume daquele ramo de espinhos gregos...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

No êxtase de desvendar um sonho

Corrigir entre suas imagens

Tudo o que não queria entender

Aprender sobre mim

Ler sobre o que assisti transparente entre signos alucinados

Buscar atravessar consciente o lago estreito da minha água destilada

Sobreviver aos vícios

Reconhecer minhas manias

Acabar com meus transtornos

Levar ao fim minhas obsessões

Mover as estações do meu cotidiano

O vapor cinza

O piso que envelhece friamente

O medo de adormecer calado no seio de um sentimento passageiro

Quero dividir a sós

Entre nós, cada laço de ternura perdido.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Vem assim
Sem poesia ser minha meretriz
Quero assistir seus passos tortos
Observar você dançar louca e fascinada alguma nota incoerente do canto popular
Vem vadia,vulgar,contaminar meus sonhos com suas palavras cheia de tons
Tua boca pequena
Lábios de cor palida que pinta de carmim...
Não minta assim,que sua vida te dá algum prazer mais autentico do que o nosso baralho continua sendo de verbos intransitivos
Posso te resgatar das ruas do cotidiano
Apresentar meu jardim decrado com luzes oscilantes no céu
Embriagar teu senso
Abrigar seus pêlos e reconhecer as manchas da sua pele

Considerado tarde para erquer do meu baú empoierado alguma recordação sua,mas cada  vez que acrescento um traço ao quedro que faço de você,sinto que me faltou conhecer um outro lado seu...

Bjux!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

CHEZ MOI

Minha casa corbusiana
De paralelos e vazios
Aúreos detalhes cartesianos
Dinâmico e lógico
Minha musica popular
Uma voz que dança entre notas aéreas
Ritmo com palavras vulgares,cheia de vicios de linguagem
Orações transitorias...
Estante cheia de livros,alguns albuns perdidos
E uma dose de destilados baratos
C'est moi et je suis nostalgie...